Dizem que primeiro amor a gente nunca esquece, acho que é verdade. É
bem radical, ou ele acontece tipo conto de fadas, termina com carinho
e vocês viram uma linda lembrança, ou ele acontece
violento, sem reciprocidade e deixando marcas pra sempre. E, grande
parte da pessoa que você vai se tornar, está diretamente
ligada à forma como esse primeiro amor chega e vai embora.
Pois é, o meu passou longe de ser qualquer coisa relacionada
com paz. Nossos tempos nunca estiveram alinha...dos. Eu só
queria conhecer a vida ao lado dele, como uma criança, cheia
de medos, amor e esperando ele me dar a mão, pra eu atravessar
a rua. Ele já era íntimo da vida, queria segurar o
mundo e, por isso, largou minha mão. Foi embora, mas nunca me
libertou. Sempre me quis na gaiola, enquanto ele voava sem destino
por aí. Voltava, me alimentava e retornava pra sua vida, que
um dia havia sido nossa, feliz, e era por isso que eu continuava ali,
trancada. Até que numa dessas vindas, ele me deu água,
comida e mentira, aí foi demais. Me roubou tantas coisas,
matou minha menina. Hoje eu também voo, porque gaiola ficou
pequeno demais pra mim. Pra mim, minhas mágoas, minha repulsa,
nosso fim. Agora eu atravesso as ruas sozinhas, porque a vida tá
tão mais convidativa e eu já não preciso de guia
turístico, banco minha felicidade sozinha. Meu primeiro amor,
minha primeira decepção, meu último adeus.

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